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Os números da ABRELPE revelam que à geração de resíduos sólidos teve um crescimento de 1,7 % de 2014 a 2015. Os números continuaram a aumentar no Brasil, tanto em termos absolutos, como individualmente neste período em que a população brasileira cresceu 0,8% e a atividade econômica (PIB) retraiu 3,8%. Fato curioso, já que o aumento na geração de resíduos sólidos, normalmente, acontece quando os países apresentam crescimento do PIB.

Esse aumento mostra que os tipos de hábitos sociais desenvolvidos na última década, em que o modelo de consumo passou a incluir um grande volume de materiais descartáveis, se tornou padrão e não foi alterado nem mesmo pela crise econômica vivida pelo país.

A comparação entre a quantidade de resíduos gerada e o montante coletado em 2015, que foi de 72,5 milhões de toneladas, indica um índice de cobertura de coleta de 90,8% para o país, isso significa que cerca de 7,3 milhões de toneladas de resíduos não são coletados e, consequentemente, com destino impróprio.

Houve aumento em números absolutos e no índice de disposição adequada em 2015: cerca de 42,6 milhões de toneladas de resíduos, ou 58,7% do coletado, seguiram para aterros sanitários. Por outro lado, registrou-se aumento também no volume de resíduos enviados para destinação inadequada, com quase 30 milhões de toneladas dispostas em lixões ou aterros controlados, que não possuem o conjunto de sistemas e medidas necessários para proteção do meio ambiente contra danos e degradações.

A prática da disposição final inadequada de resíduos sólidos ainda ocorre em todas as regiões e estados brasileiros, e 3.326 municípios ainda fazem uso desses locais impróprios.

 

  • Coleta de Resíduos Sólidos

A quantidade de resíduos coletados em 2015 cresceu em todas as regiões, em comparação ao ano anterior. Só a região Sudeste corresponde por quase 53% do total e apresenta o maior percentual de cobertura dos serviços de coleta do país.

  • Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos

A pesquisa direta realizada pela ABRELPE indica que 3.859 municípios apresentam alguma iniciativa de coleta seletiva, porém em muitos municípios as atividades de coleta seletiva não abrangem a totalidade de sua área urbana.

  • Disposição Final de Resíduos Sólidos

A disposição final de resíduos sólidos apresenta sinais de evolução e aprimoramento, com a maioria dos resíduos coletados (58,7%) sendo encaminhados para aterros sanitários, que se constituem como unidades adequadas. As unidades inadequadas, porém, ainda estão presentes em todas as regiões do país e recebem mais de 82.000 toneladas de resíduos por dia, com elevado potencial de poluição ambiental.

 

Reciclagem

 

A reciclagem é uma das ações prioritárias na hierarquia da gestão de resíduos, descrita como um processo de transformação envolvendo a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, tendo como prerrogativa transformar estes em insumos ou novos produtos. A PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) também estabelece a logística reversa como um dos instrumentos de implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, viabilizando um conjunto de ações que visam à coleta e a restituição dos produtos e resíduos sólidos remanescentes ao setor empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

É possível notar um aumento paulatino das iniciativas municipais de coleta seletiva, conforme determinado pela PNRS. Apesar desse aumento os índices de reciclagem no Brasil não apresentaram o mesmo avanço. Em alguns setores houve até mesmo redução do total efetivamente reciclado, em comparação com índices registrados anteriormente. O incremento dos percentuais de reciclagem é uma meta buscada atualmente não apenas no Brasil, mas também em várias partes do mundo, que já contam com medidas concretas de estímulo e desoneração para viabilizar os avanços pretendidos.

O Brasil vem conquistando importantes avanços na gestão de resíduos sólidos, mas ainda convive com deficiências que precisam ser superadas, para o bem do meio ambiente, da saúde pública e de uma melhor qualidade de vida.

Fonte: http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2015.pdf