Produtos que compramos se transformam em lixo rapidamente, gerando um acúmulo de resíduos no planeta e diversos impactos negativos no meio ambiente, e isso tem uma explicação.

 

As políticas ambientais precisam ser desenvolvidas em um momento de crise generalizada, onde a solução convencional é estimular a demanda, ou seja, incentivar as pessoas a comprarem mais. O resultado disso é o aumento da produção e, consequentemente, do consumo de energia e recursos naturais, ao invés de poupa-los.

Sabemos que o bem-estar humano precisa ser desacoplado do consumo de recursos, em outras palavras, a prosperidade individual deve continuar a crescer ao mesmo tempo que reduz o impacto no planeta. A questão é “Como conseguir isso? ”

Melhorar a eficiência do uso de energia e produção é uma estratégia difícil, mas que pode tornar o consumo mais barato, por outro lado, ao encoraja-lo, um efeito rebote é gerado. Quanto mais barata é a matéria-prima, maior é a demanda e, consequentemente, maior é a extração de recursos vindos da natureza.

A extração global de recursos naturais triplicou desde 1970, superando o ritmo do crescimento populacional, que duplicou.

Embora a produtividade dos recursos tenha melhorado, a demanda global por recursos naturais continua aumentando. Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), a extração global de recursos naturais triplicou desde 1970, superando o ritmo do crescimento populacional, que duplicou. O uso médio de materiais por pessoa cresceu de 6,4 toneladas para 10 toneladas entre 1970 e 2010. Nenhuma vez nos últimos 40 anos a extração de materiais diminuiu, mesmo em tempos de recessão.

As descobertas do PNUMA apontam para uma realidade preocupante: as estratégias de globalização e terceirização mudaram da produção de economias mais eficientes em termos de material (como no Japão ou partes da Europa) para economias menos eficientes (como na China, na Índia e no Sudeste Asiático), levando a um declínio geral na produtividade material global desde a virada do século.

 

Obsolescência planejada e economia consumista

Muitos produtos são fabricados, vendidos e descartados mais do que o necessário, como consequência a produção crescente de energia e uso desenfreado de recursos naturais, aumento da geração de resíduos, destruição do ecossistema e perda de biodiversidade, além das mudanças climáticas.

Outra solução para o aumento do consumo de recursos é prolongar a vida útil dos bens e assim reduzir sua taxa de rotatividade. A aceitação generalizada da “obsolescência planejada” – limitar artificialmente a vida útil de um produto tornando-o obsoleto – é um dos principais impulsionadores de estruturas econômicas não sustentáveis ​​durante o último século.

Com a ajuda de publicidade, mudanças de design e outras estratégias, as empresas promovem alterações frequentes na moda e na percepção do consumidor, “empurraram” produtos inferiores (materiais e componentes frágeis) e introduzem incompatibilidades técnicas (tais como em componentes e software do computador). O resultado é uma redução significativa na vida útil dos produtos e a capacidade limitada de repará-los e atualizá-los. Assim, muitos produtos são fabricados, vendidos e descartados mais do que o necessário, como consequência a produção crescente de energia e uso desenfreado de recursos naturais, aumento da geração de resíduos, destruição do ecossistema e perda de biodiversidade, além das mudanças climáticas.

 

Mudando as Regras de Consumo

Taxas de juros mais baixas sobre a produção podem gerar bons resultados, além de fiscalização mais rígidas sobre os processos de fabricação de produtos.

Se o desafio ambiental e climático deve ser resolvido, a sociedade não pode se restringir apenas a padrões de produção e consumo reduzido, como forma de evitar a crise econômica.

O custo de compra de produtos mais duráveis é maior que o de curto prazo. Para incentivar os consumidores a tomarem decisões de compra mais sustentáveis, é preciso que programas de financiamento verdes também sejam criados. Taxas de juros mais baixas sobre a produção podem gerar bons resultados, além de fiscalização mais rígidas sobre os processos de fabricação de produtos.

As críticas à obsolescência programada estão de longe de serem novas, mas produzir produtos mais duráveis tornou-se uma tarefa difícil, em meio caos climático que estamos vivenciando. Isso exige uma mudança cultural, em uma sociedade consumista, e onde as indústrias constroem sistemas operacionais em meio a ideia de que as coisas devem ser trocadas o mais rápido possível.

 

Informações via: World Whatch Institute