Localizadas em meio à cidade, com produção em larga escala, as fazendas urbanas podem ser a solução para oferecer a população alimentos orgânicos, a preços mais acessíveis.

 

Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos utilizados na agrícola para exterminar insetos, pragas ou plantas no ambiente, que contaminam o solo, água e ar e oferecem riscos a saúde humana. As plantas absorvem parte dessas substâncias e, segundo a ANVISA, por mais que os alimentos sejam higienizados, não é possível remover o agrotóxico por completo.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, responsáveis pelo consumo de mais 20% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo. Algumas das substancias liberadas no País foram banidas nos Estados Unidos, Europa e em outros países.

 

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Se todos os defensivos agrícolas utilizados por ano em nosso país fossem divididos pela população, daria um galão de 5,2 litros para cada brasileiro. Não é por acaso que oito mil casos de intoxicação por agrotóxicos foram registrados no Brasil somente em 2011.

O melhor é optar por alimentos orgânicos, que por serem livres de agrotóxicos são mais saudáveis. O problema é que essa solução não cabe no bolso de grande parte da população, pois custam em média 200% a mais do que os alimentos tradicionais.

 

Fazendas Urbanas

 

Para produzir alimentos mais saudáveis e em larga escala para atender a população, as chamadas “fazendas urbanas” têm ganhado destaque em países como China e Alemanha.

É o caso do estudo feito pelo japonês Shigeharu Shimamura, em parceria com a GE Reports, que parece ter encontrado uma maneira de tornar as plantações indoor tão ou mais eficientes do que as tradicionais. A experiência foi feita transformando uma fábrica de semicondutores em uma floresta urbana, capaz de produzir até 10 mil cabeças de alface orgânicas por dia, com uma porcentagem de perda 40% menor do que em produções de orgânicos convencionais e ainda por cima utilizando apenas 1% da água normalmente gasta na produção.

As enormes áreas de plantação foram trocadas por um espaço do tamanho de meio campo de futebol e o sol substituído por mais de 17 mil lâmpadas LED inteligentes. Com um ambiente 100% controlado, não há necessidade do uso de agrotóxicos nos alimentos, pois os vegetais não ficam expostos às mudanças climáticas ou mesmo à ação de insetos. Com uma perda menor e economia de recursos, os preços dos alimentos produzidos tendem a cair.

 

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Outro ponto importante para este tipo de plantação é a localização. Em meio à cidade, as fazendas urbanas podem economizar em logística e transporte de alimentos, tornando sua produção ainda mais sustentável. Este é apenas um dos benefícios apontados por Dickson Despommier, da Universidade de Columbia (EUA), um dos pioneiros quando se trata de fazendas verticais. Segundo ele, um edifício de 30 andares de plantação é suficiente para alimentar 10 mil pessoas.

 

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Em Berlim já se produz verduras e cria peixes em larga escala, utilizando o sistema de aquaponia, uma mistura da aquicultura (criação de peixes), com a hidroponia (cultivo de plantas na água). Nicolas Leschke, um dos criadores do sistema, apelidado de ECT, acredita que a principal motivação de sua equipe era a de produzir alimentos em larga escala, mas de maneira sustentável. A boa notícia é que eles estão conseguindo.

 

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O local destinado a esta produção possui 1,8 mil metros quadrados e fica localizado no bairro de Schöneberg, com capacidade para produzir cerca de 40 toneladas de verduras e legumes e 25 toneladas de peixe todos os anos, utilizando técnicas sustentáveis que incluem o aproveitamento de água da chuva, responsável por uma economia de 70% no uso do recurso. Além disso, o sistema também reaproveita a água onde os peixes vivem na plantação, já que esta é repleta de nutrientes – assim, é possível aliar fertilização e irrigação com um só elemento.

 

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Fonte: Hypeness