Aparelhos eletrônicos: consumo desenfreado, obsolescência programada e descarte irregular. | Ecoassist

O consumo exagerado causado pela prática de obsolescência programada está custando caro à natureza, os recursos naturais do planeta estão se tornando cada vez mais escassos e toneladas de lixo está sendo gerada.


 

Se você já percebeu que produtos, principalmente eletroeletrônicos e eletrodomésticos, duram cada vez menos e que são difíceis de consertar, saiba que isso não é uma mera coincidência, muito pelo contrário, é uma estratégia utilizada pelas indústrias para forçar o consumo e garantir produtividade. Isto se chama Obsolescência Programada, quando empresas programam o tempo de vida de seus produtos, para que durem bem menos, fazendo que com sejam descartados muito antes do esperado.

Um exemplo claro de obsolescência programada e que, geralmente, ninguém avalia, é o conserto. Diversos itens como geladeiras, micro-ondas, celulares, cafeteiras, entre outros, simplesmente vão para o lixo mais cedo, isso porque o conserto se torna caro de mais, chegando próximo até, ao valor do produto. Por incrível que pareça, existem casos em não existem peças de reposição e, diversas vezes, não há nenhuma maneira de desmontar, impossibilitando o conserto do produto.

 

Avanço tecnológico e a geração de resíduos

 

Atualmente, o avanço da tecnologia é a justificativa utilizada pelas empresas para que diversos itens se tornem obsoletos, visto como um mal necessário para estimular o consumo. O que devemos lembrar é que não é somente pela crise econômica que estamos enfrentando que devemos frear o consumo, a vida do planeta também está em risco, mesmo que as empresas renovem constantemente seus produtos, devemos nos conscientizar.

Raramente temos casos de obsolescência programada vindo a tribunal, no Brasil, podemos recorrer apenas ao Código de Defesa do Consumidor (CDC), quanto aos impactos causados ao meio ambiente, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, obriga apenas, que todas as partes envolvidas destinem seus resíduos de forma ambientalmente correta, o que na prática não acontece.

 

E para onde vão todos os resíduos eletrônicos gerados?

 

O Brasil está entre os maiores produtores de lixo eletrônico no mundo, com mais de 1,4 milhão de toneladas produzidas anualmente, o equivalente a 7 Kg por habitante, aproximadamente.

O consumo exagerado causado pela prática de obsolescência programada está custando caro à natureza, os recursos naturais do planeta estão se tornando cada vez mais escassos e das toneladas de todo o lixo gerado, apenas 3% é reciclado. O restante vai parar aterros irregulares, calçadas e rios, contaminando o solo, a água e o ar.

Diante dessa situação tão preocupante, mudanças nos padrões de produção, consumo e destinação, de forma a diminuir a geração de resíduos e garantir que eles sejam descartados corretamente, são essenciais para reverter esse quadro.